Crise não chegou às ruas de comércio popular em SP

Data de publicação: 16/02/2009
Fonte: Diário do Comércio

Quem passa diariamente pelos principais pólos de moda da cidade – Brás e Bom Retiro – percebe uma grande movimentação de consumidores atrás de novidades e preços baixos

A crise não afetou o comércio de rua neste início de ano. Quem passa diariamente pelos principais pólos de moda da cidade – Brás e Bom Retiro – percebe uma grande movimentação de consumidores atrás de novidades e preços baixos. As liquidações da coleção antiga oferecem descontos de até 70% em shorts, vestidos e sandálias. Cerca de 300 mil pessoas foram às compras ontem no Brás, mantendo a média diária registrada no ano passado.

De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro (CDL), as vendas anuais na região giram em torno de R$ 2 bilhões, com tíquete médio de R$ 200. Para os atacadistas, que compram grandes quantidades para revender em diferentes partes do Brasil, a despesa pode ir de R$ 5 mil a R$ 10 mil por pessoa.

No Brás, o tíquete médio pode chegar a R$ 30 mil. Segundo a coordenadora de guias turísticos do Mega Polo Moda, Samanta Pires, cerca de 160 lojistas visitaram o centro atacadista ontem. Quatro ônibus vindos de Belo Horizonte (MG), Campo Grande e Dourados (MS), e Bauru, no interior de São Paulo, saíram carregados de produtos no final da tarde. "Chegamos a receber uma média de 150 ônibus por mês".

O Mega Polo registrou crescimento de 7% nas vendas de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado. Para a lojista Márcia Amarilla, dona da Lovely, em Campo Grande (MS), a crise econômica não afetou a empresa. "Ao contrário. Comprei R$ 10 mil em produtos para repor o estoque de verão e já estou aguardando ansiosa a coleção de inverno. Devo crescer 30% neste ano". André Ferreira Santana, gerente da Classic Man Fashion, na cidade de Dourados (MS) também está otimista. Ele desembolsou R$ 25 mil em compras e já pensa em voltar na próxima semana para levar outros produtos. "Minha expectativa é a de aumentar as vendas em 50% neste ano em relação a 2008. A crise não vai passar nem perto". De acordo com os lojistas do Mega Polo, o desempenho está igual ao registrado no mesmo período do ano passado. "Por causa das promoções de verão, consegui manter o mesmo crescimento de 18% de janeiro de 2008", disse o proprietário da loja Girraz, Jamal Akl, especializada em moda feminina.

Já o dono da Young Age, Daniel Song, acredita em um aumento significativo nas vendas após o carnaval. "O ano começou bem e minha expectativa é de crescer 30%".

Nas ruas próximas, as expectativas também são otimistas. Segundo o proprietário da Dust, de moda jovem, Kamal Soueid, as promoções de verão garantiram o faturamento do início de ano. Em janeiro, as vendas tiveram aumento de 4% em relação a 2008 e a expectativa é atingir 7% no ano. "Os consumidores do Polo Moda também circulam nas ruas. O movimento está muito bom". De acordo com o diretor da Associação dos Lojistas do Brás (Alobras), Jean Makdissi Júnior, os lojistas de rua estão investindo em infra-estrutura e produtos de qualidade para dribl ar os efeitosda crise. Dos 300 mil visitantes diários, 50% vêm de fora de São Paulo. "Vamos continuar a trabalhar para atrair novos consumidores e crescer 7% neste ano em relação a 2008", diz

fonte: ABIESV