Calcanhar de aquiles compromete bom desempenho do varejo
Bons resultados do setor no primeiro trimestre são comprometidos pelo elevado índice de perdas provocado por furtos, falta de produtos nas gôndolas, itens avariados ou fora da validade.
Nos últimos meses, o varejo brasileiro vem se consolidando como contrapeso positivo em relação ao cenário negro pintado por economistas, especialistas e demais “istas” de plantão. A prova mais recente foi dada no encontro de líderes do setor promovido pela Associação ECR Brasil e sugestivamente batizado de “Agenda Positiva”. Executivos e empresários, entre eles Abílio Diniz e Claudio Galeazzi (Pão de Açúcar), Lúcio D’Almeida (Unilever), Vanderlei Greggio (Kraft) e Carlos Eduardo Severini (ABAD) anunciaram não só os resultados positivos dos últimos meses como também seus investimentos e ações para contornar a crise. Entre os fatos destacados está o crescimento das vendas do comércio em 2% no primeiro trimestre. Na zona do euro (16 países europeus que compartilham a moeda), por exemplo, as vendas no varejo caíram 0,6% em fevereiro ante janeiro e recuaram 4% na comparação com fevereiro do ano passado, o que representa o maior declínio em base anual desde que os registros começaram, em janeiro de 2000, conforme dados da agência de estatísticas Eurostat.
Se para a economia como um todo a notícia é ótima principalmente no aspecto psicológico, é ilusório e até um risco para os empresários do varejo. Considerando o baixo índice de lucratividade das empresas, 2% de crescimento sequer chega a cobrir a média das perdas que, nos supermercados, atinge 2,15%. Para ilustrar, esse percentual representou prejuízos de R$ 320 milhões para o auto-serviço em 2008. Não é exagero dizer, portanto, que as perdas representam hoje o “calcanhar de Aquiles” do varejo.
Ou seja, os varejistas vivem um momento crítico em que a viabilidade dos negócios dependerá cada vez mais da sua capacidade de reduzir suas perdas provocadas por furtos, produtos avariados, problemas de estoque etc. Cada real recuperado poderá ser reinvestindo na abertura de novas lojas, ações promocionais, merchadising ou mesmo na recomposição das margens.
Linha de crédito - Não é por acaso que as maiores redes varejistas não abrem uma loja sem a correspondente preocupação com a proteção de seu patrimônio. Pois sabem exatamente quanto deixariam de ganhar não o fazendo. A boa notícia é que as entidades do setor aumentaram seu apoio ao combate às perdas. Além dos seminários, cursos e treinamentos, a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) promove linhas de crédito para aquisição de equipamentos entre eles sistemas antifurto, como antenas e circuito fechado de TV (CFTV).
Mas é preciso alertar que só tecnologia não acaba com o problema. A prevenção de perdas só vai gerar resultados se for encarada como um processo envolvendo normas e procedimentos, profissionalização e parceiros efetivamente empenhados em resolver os problemas do varejo.
Se há um momento para as empresas investirem em prevenção de perdas, este é agora. Combatendo um de seus pontos mais vulneráveis, o varejo terá condições plenas de sair não só fortalecido da crise mas também mais rico.
Luiz Fernando Sambugaro é diretor da Gateway Security (www.gateway-security.com.br)
fonte: Invest NE
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